SEGUIDORES

17.3.17

Lince-ibérico

macho

macho

em busca de pistas

caçando

fêmea e juvenil

cria

ninhada


Lynx issiodorensis

mapa de distribuição

https://www.youtube.com/watch?v=DyAVetUJlvI

reino  Animalia

filo  Chordata
    
classe  Mammalia
 
ordem  Carnivora

família  Felidae

nome científico Lynx pardinus Temminck

sinónimos  Felis pardina Temminck

nome comum  Lince-ibérico, Lince da Malcata, Iberian Lynx, Pardel Lynx, Spanish lynx, Lynx ibérique, Lynx d'Espagne, Lynx pardelle, Lince ibérico

etimologia dos nomes
os verdadeiros linces são membros do género Lynx, nome latim que deriva do grego "lyngz”, e talvez do vocábulo proto-Índo-Europeu “leuk” que significam “luz”, fazendo alusão ao seu apurado sentido da visão, que lhes permite caçar no escuro.

evolução e taxonomia
o lince-ibérico é uma espécie de mamífero descrito em 1827 por Coenraad Jacob Temminck, inicialmente no género Felis; anteriormente considerado uma subespécie do lince-euroasiático, estudos morfológicos e genéticos corroboram a hipótese de ser uma espécie separada; ambas as espécies percorriam juntas a Europa central durante o período Pleistoceno, separadas apenas por escolhas de habitat;
não são conhecidas subespécies do lince-ibérico.
a linhagem dos linces divergiu da dos outros felídeos há cerca de 7,2 milhões de anos; o género Lynx começou a diversificar-se há cerca de 3,24 milhões de anos, e o lince-ibérico separou-se do lince-euroasiático há cerca de 1,18 milhão de anos; segundo Werdelin (1981), os linces evoluíram a partir do Lynx issiodorensis; o lince-ibérico e o lince euroasiático eram endémicos da Europa Central durante o Pleistoceno; o isolamento do ancestral comum entre essas duas espécies, no sul da Península Ibérica em refúgios na Era do Gelo, culminou no surgimento do lince-ibérico, resultado de uma diminuição do porte desta espécie; tal diminuição no tamanho é observada no registo fóssil e provavelmente deu-se pela especialização do felídeo em caçar coelhos.
                                                                                                                                                                       
estatuto de conservação
está classificado como “EN - Em perigo” pela Lista Vermelha da IUCN e listado no Anexo I da CITES;
o lince-ibérico foi uma espécie em perigo crítico até 2015, para agora ser considerada uma espécie em perigo; ainda assim, é a espécie de felino mais ameaçada no mundo e o carnívoro em maior perigo na Europa: de acordo com o grupo de conservação SOS Lynx, se o lince-ibérico desaparecesse, seria a primeira espécie de felino a ficar extinta desde o Smilodon populator, há 10.000 anos; está categorizado como espécie em perigo por várias organizações, incluindo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN); a reprodução em cativeiro e os programas de reintrodução têm aumentado o seu número; em 2013, a Andaluzia tinha uma população de 309 indivíduos em estado selvagem e em Dezembro de 2014 foram reintroduzidos os primeiros exemplares em Portugal, com previsões para mais reintroduções durante o primeiro semestre de 2015; numa tentativa de salvar esta espécie da extinção, teve início o projecto Europeu de Vida Natural que inclui a preservação do habitat, monitorização da população do lince, e gestão das populações de coelho;
justificação
após seis décadas de declínio e uma marcada contracção do habitat, entre 2002 e 2012, o tamanho da população do Lince Ibérico aumentou continuamente para 156 indivíduos maduros nas duas subpopulações selvagens restantes (Simón et al., 2012); da mesma forma, a área de ocupação experimentou um aumento de três vezes para chegar a 1.040 km2; uma subpopulação contém 68% de todos os indivíduos maduros; doze indivíduos maduros sobrevivem em duas localidades adicionais onde reintroduções estão em andamento (Simón et al., 2012); como resultado do aumento da população, o lince-ibérico já não se qualifica no estado de “Criticamente em Perigo” e, portanto, está classificado como “Em Perigo” sob o critério D; o melhor estado desta espécie é devido a intensas acções de conservação contínuas;
projeções demográficas detalhadas sugerem que a expansão futura do habitat e o aumento da população dependem de reintroduções contínuas; na ausência de reintroduções, um declínio acentuado viria a ocorrer rapidamente e a extinção deveria ocorrer dentro de 35 anos (Fordham et al., 2013); as principais ameaças futuras incluem a incerteza sobre a identidade e a intensidade dos condutores ambientais em presas de lince nas regiões onde os esforços de conservação estão actualmente concentrados e a incerteza sobre a adequação dessas regiões para o lince sob as futuras mudanças climáticas (Fordham et al., 2013).

características morfológicas
apresenta muitas das características típicas dos linces, como orelhas peludas com tufos de pêlos negros em forma de pincel nas extremidades, pernas longas, cauda curta e um colar de pêlo que se assemelha a uma barba, de ambos os lados das faces; ao contrário dos seus parentes mais próximos, o lince-ibérico tem uma cor castanho-amarelada com manchas; o pêlo também é mais curto que o de outros linces, que geralmente estão adaptados a ambientes mais frios; apresenta um padrão de pintas negras muito denso, geralmente com uma cor mais intensa durante os meses do Verão; a pelagem do ventre é muito clara; algumas populações ocidentais não tinham manchas, no entanto acredita-se estarem extintas; tem havido recentemente estudos sobre a configuração das manchas e a determinação do grau de diversidade genética dentro da espécie
o comprimento da cabeça e do corpo é de 85 a 110 centímetros, com a pequena cauda a acrescentar um comprimento adicional de 12 a 30 centímetros; o tamanho dos ombros é de 60 a 70 centímetros; o macho é maior do que a fêmea e podem pesar até cerca de 27 kg, enquanto que a fêmea apresenta um peso médio de 9,4 kg; tal é cerca de metade do peso do lince-euroasiático;
o lince-ibérico é um caçador muito especializado e que apresenta certas adaptações que melhoram a sua capacidade de capturar e matar pequenas presas; têm um crânio encurtado, o que maximiza a força da mordidela dos caninos; os seus focinhos são mais estreitos e têm mandíbulas mais longas e caninos menores do que animais que se alimentam de presas maiores;
como todos os felídeos, o lince-ibérico tem pupilas verticais e uma visão excelente, especialmente quando há pouca visibilidade; têm também reflexos apurados; os bigodes fornecem dados tácteis muito detalhados e as orelhas proporcionam uma excelente audição; a maior parte dos gatos solitários são silenciosos, excepto quando se sentem ameaçados ou quando os juvenis se encontram em perigo.

ocorrência, habitat e ecologia                                                                                                        
Nativo de Espanha;
Reintroduzido em Portugal;
em Portugal os territórios de distribuição histórica da espécie, são: Sítio de Rede Natura de Monchique; Sítio de Rede Natura do Caldeirão; Parque Natural do Vale do Guadiana; Sítio de Rede Natura de Moura/Barrancos e Parque Natural da Serra da Malcata;
prefere o bosque, matagal e mato denso mediterrânico com áreas abertas e muita vegetação arbustiva;
o lince ibérico está limitado a duas regiões distintas do sudoeste da Espanha, a saber, a Serra Oriental Morena e as planícies costeiras a oeste do baixo Guadalquivir; estas subpopulações isoladas foram nomeadas por Simón et al. (2012) como Andújar-Cardeña e Doñana-Aljarafe, respectivamente; dois novos núcleos estão a ser fundados, embora a reintrodução 30 km sudoeste (Guadalmellato) e nordeste (Guarrizas), respectivamente, da sub-população Sierra Morena existente, continha algumas fêmeas reprodutoras em 2012 (Simón 2013); cinco locais adicionais em quatro regiões espanholas (Andaluzia, Castilla-La Mancha, Extremadura, Múrcia) e Portugal estão a ser preparados para reintrodução; o primeiro lançamento em Portugal aconteceu no final de 2014 (projecto LIFE da Iberlince 2014);                                                                                                                              
até ao século XIX o lince-ibérico encontrava-se distribuído por toda a Península Ibérica, excepto ao longo de uma estreita faixa no norte e noroeste peninsular; o registo fóssil aponta para uma distribuição muito mais ampla do lince-ibérico no fim do Pleistoceno, ocorrendo numa área de até 650.000 km² que se prolongava até ao sul da França; por volta de 1950, a sua distribuição foi dividida em duas populações; uma nortenha, desde a Galiza e partes do norte de Portugal estendendo-se até ao Mediterrâneo, e a população sulista, em várias zonas de Espanha; estima-se que houve uma regressão de cerca de 80% na área de distribuição entre 1960 e 1990, tendência que se manteve até à actualidade; na década de oitenta, a espécie apresentava uma distribuição localizada na zona central e sudoeste da Península Ibérica, com uma área de distribuição estimada em 11.000 km²;
actualmente a distribuição do lince pode estar restrita a duas áreas na Península Ibérica, onde existem populações reprodutoras – Doñana e Andújar-Cardeña; poderá também existir presença residual de indivíduos nas regiões dos Montes Toledo Oriental, Sistema central Ocidental e algumas áreas da Serra Morena; mantêm-se populações estáveis em cerca de 350 km², constatando-se reprodução somente em 14.000 há;
este felino prefere um ambiente heterogéneo de pastagem aberta, com arbustos densos como o  medronheiro, a aroeira e zimbros, e árvores como a azinheira e o sobreiro; está agora em grande parte restrito a áreas montanhosas, com apenas alguns grupos encontrados na floresta de várzea ou em densos matagais; No Parque Nacional de Doñana, prefere a floresta mediterrânica de bosques e arbustos, na maior parte das vezes, associada a algum curso de água; geralmente, evita plantações de Pinus e Eucalyptus;
endémico da Península Ibérica, no sul da Europa, o lince-ibérico é especialista na caça do coelho-europeu (Oryctolagus cuniculus), que representa 79,5% a 86,7% da sua dieta, a qual é também composta por lebres (Lepus granatensis — 5,9%) e roedores de uma maneira menos comum (3,2%), com fraca capacidade de se adaptar a outro tipo de alimentação; um macho necessita de um coelho por dia; uma fêmea grávida come três coelhos por dia; o lince-ibérico também caça outros mamíferos (incluindo roedores e insectívoros), aves, répteis e anfíbios, mais activamente durante o crepúsculo e à noite; por vezes também caça jovens veados, gamos, corças, muflões e patos; compete pela caça com a raposa vermelha, o sacarrabos (Herpestes ichneumon) e o gato-bravo; é uma espécie solitária e caça sozinha; persegue a presa ou deita-se à espera durante horas por detrás de um arbusto ou de uma pedra até a presa estar suficientemente perto para poder atacar com poucos passos; a queda acentuada das populações da sua principal fonte de alimento, em resultado de duas doenças (a mixomatose, que se espalhou pela Península Ibérica depois de um médico a ter introduzido intencionalmente em França em 1952, e a doença hemorrágica dos coelhos que começou em 1988; houve dois grandes surtos e o último surgiu em 2011 e 2012), terem contribuído para o declínio do felino; também foi afectado pela perda de matagal, o seu habitat principal, pelo desenvolvimento humano, incluindo mudanças no uso do solo (como o monocultivo de árvores) e pela construção de barragens e estradas; os atropelamentos com veículos são a principal causa de morte não-natural do lince-ibérico;
é uma espécie solitária e territorial; pode estar activa ao amanhecer e no Inverno a actividade diurna é mais frequente; caça por emboscada;
um lince, especialmente os animais mais novos, vagueia em áreas muito amplas, chegando a mais de 100 km; o seu território (~ 10 a 20 km2) depende da comida disponível; um adulto necessita de pelo menos um espaço de 5 a 20 km2, e uma população de 50 fêmeas em fase de reprodução precisa de 500 km2 de área de habitat; todavia, uma vez estabilizado, as distâncias tendem também a estabilizar por vários anos, em que os limites são feitos pelo homem, como estradas ou caminhos-de -ferro; o lince-ibérico marca o seu território com urina, excrementos deixados pela vegetação e com marcas de arranhões nas cascas de árvores; em Maio de 2013 foi avistado perto de Vila Nova de Milfontes (costa sudoeste de Portugal) um lince-ibérico pertencente ao Parque Nacional de Doñana; o seu trajecto de mais de 250 km demonstrou a grande capacidade de deslocação dos linces e a possibilidade de conectividade entre o Sul de Espanha e Portugal;
a época do cio ocorre de Janeiro a Julho, predominantemente em Janeiro-Fevereiro; durante a época de acasalamento a fêmea deixa o seu território à procura de um macho; o típico período de gestação dura cerca de dois meses; as crias nascem entre Março e Setembro, com o ponto alto de nascimentos em Março e Abril; uma ninhada consiste em duas ou três crias (raramente uma, quatro ou cinco); as crias pesam entre 200 e 250 gramas, são amamentadas até aos 8 meses e recebem cuidados parentais da progenitora até perto dos 20 meses de idade; entre os 8 e os 23 meses os machos dispersam-se (as fêmeas dispersam-se mais tarde); a distância de dispersão máxima verificada foi de 42 km; a sobrevivência dos mais novos depende muito da população de coelhos no seu habitat; no estado selvagem, tanto os machos como as fêmeas alcançam a maturidade sexual com um ano de idade, embora na prática raramente se reproduzam sem que um território fique vago e tenha qualidade suficiente; foi conhecida uma fêmea que só criou aos cinco anos de idade, quando a sua mãe morreu; a longevidade máxima na natureza é de treze anos; a reprodução não é anual, pois no melhor habitat de Doñana, registou-se o valor de 0,8 ninhada/fêmea/ano; os irmãos tornam-se violentos uns para com os outros entre os 30 e os 60 dias, com o ponto máximo nos 45 dias; uma cria normalmente mata o seu irmão numa violenta luta; desconhece-se por que razão ocorrem estes episódios agressivos; muitos cientistas acreditam que têm a ver com mudanças hormonais, quando a cria muda do leite da mãe para a carne; outros julgam que têm a ver com padrões de hierarquia, e de "sobrevivência do mais apto;" os tratadores separam as crias antes de chegar o período de 60 dias; a dificuldade em encontrar parceiros leva a um maior número de casos de endogamia, que resulta em menos crias e uma maior taxa de morte não traumática; a endogamia leva a uma menor qualidade de sémen e a maiores taxas de infertilidade entre os machos, dificultando os esforços para aumentar a aptidão da espécie.

histórico da população
na área do Parque Natural do Vale do Guadiana atribui-se um claro destaque ao lince ibérico que estava extinto em Portugal e que tem sido reintroduzido na área do Parque desde finais de 2014;
a espécie de lince-ibérico diminuiu 80% nos últimos vinte anos; estima-se que havia em 1960 cerca de 4.000 indivíduos, cerca de 400 em 2000, menos de 200 em 2002, e possivelmente menos de 100 em Março de 2005;
a extensa pesquisa realizada por Guzmán et al. (2004), realizada principalmente durante 2001, produziu uma estimativa de 26-31 territórios de reprodução que poderiam corresponder a um máximo de 62 indivíduos maduros; de acordo com estimativas produzidas no âmbito de sucessivos projectos de conservação da natureza LIFE da União Europeia, a dimensão da população triplicou de 52 indivíduos adultos em 2002 para 156 em 2012 (Simón et al., 2012, Simón 2013);
o Parque Nacional de Doñana e a Serra de Andújar, Jaén, tinham as únicas populações reprodutoras, até que em 2007 foi descoberta uma população de 15 indivíduos em Castela-La Mancha (Espanha central); em 2008, a população de Doñana estava avaliada em 24 a 33, enquanto que o grupo da Sierra Morena tinha de 60 a 110 adultos; a população total está estimada em 99 a 158 adultos, incluindo a população de La Mancha; o lince-ibérico foi, assim, listado como criticamente ameaçado na categoria C2a(i) (i), na Lista Vermelha do IUCN;
a partir de 2009, o lince tem sido reintroduzido em Guadalmellato, resultando numa população de 23 indivíduos em 2013; desde 2010, a espécie tem também sido libertada em Guarrizas; tem havido discussões junto do Ministério do Ambiente para ser solto também na área de Campanarios de Azaba, junto a Salamanca; em Abril de 2013, foi reportado que a população selvagem total da Andaluzia (apenas 94 em 2002) tinha triplicado para 309 indivíduos;
a presença de linces-ibéricos em Portugal (particularmente no sul) tem sido verificada, mas sem haver provas de reprodução; a Quercus considerou a espécie inexistente em Portugal em 2007, em resposta à criação do Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal pelo governo português, embora existam testemunhas que reportaram terem avistado alguns linces perto da fronteira;
em Julho de 2013, grupos ambientalistas observaram uma ninhada selvagem na província de Cáceres (Extremadura); possíveis locais de libertação em Portugal, Extremadura e Castilla-La Mancha estão sob discussão desde 2013; um estudo publicado em 2013 em Nature Climate Change aconselhou que os programas de reintrodução ocorram no norte ibérico, o que sugere que a mudança climática poderia ameaçar os coelhos no sul; entretanto, Portugal fez as suas primeiras reintroduções em Dezembro de 2014; num terreno com cerca de 2,000 há, no Parque Natural do Vale do Guadiana, foram colocados em liberdade um casal de linces que estão permanentemente monitorizados por uma equipa do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF); a 7 de Fevereiro de 2015 foi libertado outro par, mas a fêmea, de nome Kayakweru, foi encontrada morta perto de Mértola, vitima de envenenamento; as autoridades portuguesas esperam colocar mais exemplares em liberdade durante o primeiro semestre de 2015;
desde 2007, devido a um surto do vírus da leucemia felina (FeLV), os linces selvagens foram testados periodicamente; as amostras retiradas entre Setembro e Dezembro de 2013 deram resultado negativo para o FeLV, mas um macho tornou-se o primeiro da sua espécie a ter uma análise positiva ao vírus da imunodeficiência felina (FIV), tendo sido colocado em quarentena;
em 2016 o Governo Português voltou a permitir a caça na Reserva Natural da Serra da Malcata, podendo colocar em perigo a recuperação do lince-ibérico e de outras espécies como o abutre-preto ou o lobo;
em abril de 2016, no conjunto da Península Ibérica, existiam 403 linces;

reprodução em cativeiro
em 2002, o Zoo de Jerez confirmou que tinha três fêmeas e estava a desenvolver um plano para reprodução em cativeiro; uma dessas fêmeas era Saliega, capturada ainda em cria em Abril de 2002; tornou-se a primeira fêmea do lince-ibérico a reproduzir em cativeiro, dando à luz três crias saudáveis em 29 de Março de 2005, no centro de reprodução El Acebuche, no Parque Nacional de Doñana Huelva, Espanha; nos anos seguintes, o número de nascimentos foi aumentando e centros de reprodução foram sendo criados; em Março de 2009, foi reportado que 27 crias já tinham nascido desde o começo do programa; em 2009, o governo espanhol planeou construir um centro de reprodução, com um custo de €5,5 milhões, em Zarza de Granadilla; Portugal estabeleceu um centro de reprodução em Silves, o Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI);
havia 14 crias sobreviventes em 2008 e 15 em 2009; em 2010, o excesso de pluviosidade e questões de saúde fizeram com que os resultados de reprodução fossem mais baixos — 14 nascimentos e 8 sobreviventes — mas no ano seguinte, os centros de reprodução registaram 45 nascimentos, com 26 crias sobreviventes; em 2012, os centros de Portugal e Espanha registaram um total de 44 sobreviventes e 59 nascimentos, enquanto 2013 viu um total de 44 sobreviventes e 53 nascimentos;
em Março de 2013, foi reportado que tinham sido conservados pela primeira vez embriões e óvulos de lince-ibérico; os embriões foram recolhidos da fêmea Azahar (CNRLI) e os óvulos da fêmea Saliega (El Acebuche) (ambas esterilizadas e retiradas do programa de reprodução) pelo Instituto Leibniz de Berlim para Zoos e Pesquisa de Vida Selvagem, e armazenados em nitrogénio líquido no Museo Nacional de Ciências Naturales de Madrid (CSIC) para possíveis reproduções futuras; em Julho de 2014, o MNCN-CSIC anunciou que tinha reproduzido células de esperma retiradas do tecido testicular de um lince sexualmente imaturo;
o lince-ibérico pode ser visto em cativeiro apenas no Zoo de Jerez e, desde Dezembro de 2014, no Zoo de Lisboa; os animais de Jerez pertencem ao programa de reprodução, enquanto que o casal de Lisboa fazia parte do centro de reprodução português, mas no entanto já não são adequados, visto que Azahar falhou vários partos normais e foi esterilizada e o macho, Gamma, tem uma forma de epilepsia.

estudos genéticos
em Agosto de 2012, pesquisadores anunciaram que o genoma do lince-ibérico tinha sido sequenciado; também planeiam fazer testes genéticos em restos mortais de lince, para quantificar a perda de diversidade genética e melhorar os programas de conservação; em Dezembro de 2012, foi relatado que os investigadores tinham localizado restos mortais de 466 linces-ibéricos em colecções particulares e museus; no entanto, ficou estimado que 40% dos espécimes armazenados em museus foram perdidos ao longo dos últimos 20 anos;
a diversidade genética do lince-ibérico é mais baixa que a de outros felinos conhecidos por serem geneticamente pobres, incluindo a chita (Acinonyx jubatus), leões da cratera de Ngorongoro e o lince-euroasiático da Escandinávia; os investigadores acreditam que esta pode ser uma das consequências da diminuição do tamanho das populações e isolamento; um estudo publicado em 2013 indicou forte diferenciação genética entre as populações de Doñana e Andújar, tanto nas frequências e composições alélicas; os linces de Doñana diferenciaram mais da população ancestral, devido a serem mais isolados e terem um índice baixo de população; os investigadores sugeriram colocar os dois grupos em conjunto, a fim de diminuir o grau de endogamia.

tendência actual da população
aumento

sistema
terrestre
                                             
maiores ameaças
o lince e o seu habitat estão totalmente protegidos e a sua caça é proibida; as principais ameaças ao animal incluem a perda de habitat, atropelamentos por veículos, envenenamento, cães selvagens, caça ilegal e surtos ocasionais de leucemia felina (um retrovírus que infecta gatos); alguns animais em cativeiro são afectados por doenças do trato urinário; a perda de habitat é em grande parte consequência da construção de infraestruturas, do desenvolvimento urbano e do monocultivo de árvores, factores que fragmentam a distribuição do lince; ao longo do século XX, a população de coelhos sofreu um declínio dramático em consequência de vários surtos de mixomatose e de doença hemorrágica, reduzindo assim a disponibilidade da principal fonte de alimentação do lince-ibérico; os atropelamentos com veículos são a principal causa de morte não natural, tendo morrido 14 indivíduos em estradas espanholas durante o ano de 2013; outra das principais causas de morte não natural são as armadilhas ilegais para coelhos e raposas;
em 2013, verificou-se a presença de uma bactéria resistente a antibióticos no trato digestivo do lince-ibérico, o que pode levar a que infecções perigosas sejam de difícil tratamento e à diminuição da aptidão física do animal; outro estudo de 2013 sugere que as alterações climáticas podem vir a ameaçar o lince-ibérico devido à sua fraca adaptabilidade a novos climas; a sua deslocação para áreas com um clima mais favorável, mas com menor número de coelhos, aumentaria a sua mortalidade;

acções de conservação
a população reduzida torna o animal especialmente vulnerável à extinção, o que pode acontecer através de eventos inesperados, como doenças ou desastres naturais; as medidas de conservação incluem o restauro do seu habitat nativo, a manutenção da população de coelhos selvagens, a redução de causas não naturais de morte e a reprodução em cativeiro para posterior libertação na natureza; a Comissão Nacional Espanhola para a Protecção da Natureza endossou um programa de conservação e reprodução ex-situ, para servir como "rede de segurança" ao manter a população em cativeiro e também para ajudar a "estabelecer novas populações de lince-ibérico livres na natureza, através de programas de reintrodução;" antes da libertação dos indivíduos criados em cativeiro, é possível simular o seu habitat natural com o intuito de prepará-los para a vida em estado selvagem; um estudo de 2006 usou um sistema de monitorização não invasivo que envolve câmaras para monitorizar os dados demográficos das populações de linces e coelhos na Serra Morena; na eventualidade de a população de coelhos selvagens entrar em declínio, podem ser fornecidos alimentos complementares;
estão a ser desenvolvidos esforços de gestão no sentido de conservar e restaurar a escala nativa do animal; os conservacionistas com a função de libertar o lince do cativeiro para o estado selvagem têm a preocupação de escolher áreas de habitat adequado, com abundância de coelhos e aceitação pelas comunidades locais; entre 1994 e 2013 foram gastos cerca de 90 milhões de euros em medidas de conservação; a União Europeia contribuiu com cerca de 61% dos fundos; o SOS Lynx é uma organização não-governamental portuguesa que trabalha para evitar a extinção do lince-ibérico.



fontes
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Dias, Carlos. Um milhão de euros para ter mais coelhos à mesa dos linces, Público online, [url] https://www.publico.pt/2017/01/18/local/noticia/reproduzir-coelhos-bravos-para-alimentar-lince-iberico-custa-um-milhao-de-euros-1758653, ac. 18.01.2017.

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Público Online. Ninhada de 4 crias faz subir para 22 número de linces ibéricos livres, [url] https://www.publico.pt/2016/06/09/sociedade/noticia/ninhada-de-4-crias-faz-subir-para-22-numero-de-linces-ibericos-livres-1734604, ac. 09.06.2016.

Público Online. Penamacor vai liderar projecto para reintrodução do lince-ibérico, [url] https://www.publico.pt/2016/09/26/local/noticia/penamacor-vai-liderar-projecto-para-reintroducao-do-linceiberico-1745275, ac. 26.09.2016.

Público Online. Lince ibérico morre atropelado depois de percorrer três mil quilómetros, [url] https://www.publico.pt/2016/10/19/sociedade/noticia/depois-de-3-mil-quilometros-lince-iberico-morre-atropelado-1748107, ac. 19.10.2016.

Público Online. Doença hemorrágica viral volta a ameaçar lince-ibérico e águia-imperial, [url] https://www.publico.pt/2016/11/03/ciencia/noticia/virus-da-doenca-hemorragica-viral-ameaca-linceiberico-e-aguiaimperial-1749846, ac. 13.11.2016.

Público online. Noudar e Niassa: o primeiro casal de linces de 2017 é libertado em Mértola, [url] https://www.publico.pt/2017/02/17/sociedade/noticia/-noudar-e-niassa-o-primeiro-casal-de-linces-de-2017-libertado-em-mertola-1762391, ac. 17.02.2017.

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última actualização:
17.03.2017



Gavial

macho

apêndice do macho

aquecendo-se ao sol

fêmea

escamas

ovos

recém-nascido

jovens em creche

mapa de distribuição



 

https://www.youtube.com/watch?v=k-AKVEheu4g


reino  Animalia

filo  Chordata

classe  Reptilia

ordem  Crocodilia 

família  Gavialidae 

nome científico Gavialis gangeticus Gmelin

sinónimos  Crocodilus arctirostris Daudin, C. gavial Bonnaterre, C. longirostris Schneider, Crocodilus tenuirostris Cuvier, Lacerta gangetica Gmelin in Linnaeus, Rkamphostoma tenuirostre Wagler

nome comum  Gavial, Gharial, Indian Gharial, Fish-eating Crocodile, Indian Gavial, Gavial, Long-nosed Crocodile, Gavial du Gange, Gavial del Ganges

etimologia dos nomes
Gavial é a corruptela francesa do termo hindu para crocodilo, gharyiāl, e gangeticus relativo ao rio Ganges.

evolução e taxonomia
os primeiros registros fósseis datam do Cretáceo Superior da América do Norte, representando dois géneros: Eothoracosaurus do Maastrichtiano e Thoracosaurus do Campaniano; no Oligoceno da África e de Porto Rico aparecem os primeiros representantes da família Gavialidae, Eogavialis e Aktiogavialis, respectivamente; restos fósseis são abundantes do Mioceno Superior ao Quaternário, nas montanhas Sivalik, no Paquistão; alguns desses espécimes são referidos como sendo G. gangeticus por Steel (1973), mas essa identificação é rejeitada por alguns pesquisadores; espécies do género Gavialis foram descritas dos períodos Mioceno e Plioceno na Índia, principalmente no Grupo Sivalik; a espécie Gavialis gangeticus aparece apenas no Holoceno;
Johann Friedrich Gmelin descreveu o gavial em 1789, com o nome de Lacerta gangética; em 1811, Nicolaus Michael Oppel, descreveu o género Gavialis e em 1831 John Edward Gray recombinou a espécie para Gavialis gangeticus; o gavial é o único membro ainda existente do género Gavialis e juntamente  com o gavial da Malásia representa as linhagens sobreviventes da família Gavialidae; estudos morfológicos posicionavam o género Tomistoma na família Crocodylidae e análises moleculares demonstraram que o Gavialis e o Tomistoma são grupos relacionados entre si; estudos moleculares também sugerem o grupo Gavialis/Tomistoma como grupo-irmão dos demais crocodilos, e todos formando uma única família, a Crocodylidae sensu lato; entretanto, alguns pesquisadores continuam a referir-se a Gavialis/Tomistoma como uma família distinta.
                                                                                                                                                                       
estatuto de conservação
está classificado  como “CR - Em perigo crítico” na Lista Vermelha da UICN e listado no Apêndice I da CITES e no Anexo I da CMS, pelo fato de ter havido uma redução da população de mais que 80% nos últimos dez anos ou três gerações, e além disso, o declínio poder não ser reversível; estimativas mais generalizadas mostram uma redução mais avassaladora da espécie; a população pode ter caido de 86 a 88% num intervalo de dez anos;
outro critério para enquadrar o gavial como em perigo crítico também pode ser justificado pelo facto do tamanho da população estar estimada em menos que 250 indivíduos adultos e numa contínua queda que pode seguir um ritmo de 25% de três em três anos; as estimativas do tamanho da população adulta indicam que houve um declínio de 436 gaviais adultos em 1997 para 188 em 2006, o que representa uma queda de 58% em todo o habitat durante um período de nove anos;
esta espécie é considerada uma das mais ameaçadas de extinção; actualmente a sua população não ultrapassa os 250 animais, além de o seu habitat vir sendo degradado continuamente pelo homem que, em constante expansão, tanto urbana quanto agropecuária, se apropria de zonas fundamentais, onde os gaviais se reproduzem e passam uma parte das suas vidas.
justificação
Critério A: classificado como Criticamente Ameaçadas (CR), segundo o critério A2 ("redução do tamanho da população com base numa redução de tamanho da população observada, estimada, inferida ou suspeita de ≥80% nos últimos 10 anos ou três gerações, consoante o que for (B) um índice de abundância adequado ao taxon e (c) um declínio na área de ocupação, extensão de ocorrência e / ou qualidade do habitat; estimativas muito conservadoras do declínio populacional ao longo de um período de três gerações (de 1946 a 2006) indicam que houve um declínio populacional de 96 a 98% e a população, uma vez disseminada, foi reduzida a um número muito pequeno de populações extensamente espaçadas;
Critério C: também se classificou para a listagem CR no critério C1 - "tamanho populacional estimado em número de menos de 250 indivíduos maduros e declínio contínuo estimado de pelo menos 25% dentro de três anos ou uma geração"; estimativas do tamanho da população adulta indicam que houve um declínio de 436 adultos em 1997, para 182 em 2006; o que representa uma queda de 58% em toda a sua gama durante um período de nove anos, bem dentro do período de uma geração;
situação actual da população
em 1976 a população selvagem total estimada no mundo tinha diminuído do que se pensa ter sido de 5.000 para 10.000, na década de 1940 para menos de 200 (Whitaker et al., 1974), um declínio de cerca de 96%; em 2006, a população adulta na Índia encontrava-se num número semelhante, menos de 200 (Andrews 2006, Sharma e Basu, 2004) e menos de 35 adultos no Nepal (T. Maskey, com.); a espécie está virtualmente extinta no Paquistão (Whitaker e Basu 1983), Bangladesh (Whitaker 1976, Khan 1979, Faizuddin 1985) e Butão (Singh 1991); apenas dois registos da nespécie foram efectuados em Myanmar em 1927 (Thorbjarnarson et al., Na imprensa) e presume-se extinto há muito tempo;
conclusão
o gavial sofreu ambos os declínios, um crónico de longo prazo e um rápido declínio de curto prazo; a utilização do Critério A ilustra o declínio a longo prazo, que foi em parte tratado durante os esforços de conservação desta espécie na Índia e no Nepal durante as décadas de 1970 e 1980; porém um declínio mais recente, muito rápido, tem ocorrido nas últimas subpopulações sobreviventes e é motivo para alarme considerável; o uso do critério C aqui, efectivamente demonstra que o gavial se qualifica para uma listagem de CR, que pensamos que será um primeiro passo importante para galvanizar esforços de conservação renovada para esta espécie única.

características morfológicas
esta espécie difere dos demais crocodilianos pelo focinho estreito e alongado, que se torna mais fino com a idade e pela presença de uma protuberância cartilaginosa no focinho dos machos adultos (que produz um zumbido ressonante durante a expiração, utilizado durante a época de acasalamento para fazer a corte à fêmea; esta saliência é denominada de "ghara" que significa "pote" em hindi), caracterizando um dimorfismo sexual visível: os machos são maiores do que as fêmeas, medindo em média 4,5 a 5 metros, enquanto as fêmeas alcançam na média 3,5 a 4 metros; registos históricos reportam espécimes com mais de 6 m de comprimento; o maior exemplar conhecido foi morto em Janeiro de 1924, no rio Kosi ao norte de Bihar e media 7,1 metros; o peso de um adulto varia entre 159 e 181 kg; os adultos têm coloração castanho-escura a oliva no dorso, e branca a amarela no ventre; os filhotes são castanho-acinzentados com cinco faixas transversais irregulares no corpo e nove na cauda; outra característica única é a exteriorização dos dentes da metade anterior da maxila e da mandíbula quando a boca do animal está fechada; a dentição do gavial é composta por cinco dentes pré-maxilares, vinte e três a vinte e quatro dentes maxilares e vinte e cinco a vinte e seis dentes mandibulares; as glândulas linguais estão ausentes ou são pouco desenvolvidas, com poros excretores pequenos, limitando a capacidade secretória do sal; a superfície da língua não é queratinizada e é relativamente curta, se comparada com outros crocodilianos; os ossos nasais são curtos em relação ao focinho, e amplamente separados dos ossos pré-maxilares; a abertura nasal é menor que a fossa supratemporal e a margem anterior da órbita inferior (osso jugal) é proeminente; a sínfise mandibular é extremamente longa, estendendo-se para trás até o nível do 23º ou 24º dente; o processo anterior do palatino é longo e estende-se até à fenestra supraorbital e cada parietal contém um seio que se abre no sistema pneumático cranial; a coluna vertebral contém um largo e compacto pró-atlas e um áxis com uma crista espinhal e uma discreta ou não demarcada hipapófise.
                                                                                                                                                                       
ocorrência, habitat e ecologia                                                                                                        
pode ser encontrado nos rios da Índia e do Nepal, e também habitou os rios do Paquistão, Butão, Bangladesh e Myanmar;
a ocorrência ocidental mais histórica do gavial foi no rio Indo, no atual Paquistão e no leste (embora de apenas dois registos na literatura científica) foi no rio Irrawaddy, no actual Myanmar; hoje, três subpopulações de reprodução amplamente separadas estão registadas na Índia (Rio Chambal, Rio Girwa e Rio Son) e uma no Nepal (Rio Rapti / Narayani);
 é Nativo de: Índia (Bihar, Uttar Pradesh) e Nepal;
está Possivelmente extinto em: Bangladesh, Butão e Paquistão;
está Regionalmente extinto em: Myanmar;
O gavial nidifica em bancos de areia expostos sazonalmente ao longo de secções de movimento lento de rios de grande a médio porte; juntam-se para acasalamento e nidificação durante a estação seca, nestes rios altamente sazonais; quando concentrados nessas áreas, são altamente vulneráveis aos impactos da pesca e da matança maliciosa; os ninhos também são vulneráveis, uma vez que tradicionalmente são colocados nas mesmas praias, ano após ano e em alguns habitats (rio Girwa na Índia e rio Rapti / Narayani no Nepal) os ovos são apreciados pelos indígenas;
Ao gaviais são os mais aquáticos dos crocodilianos existentes e os adultos, aparentemente, não têm a capacidade de andar com uma postura semi-ereta como outros crocodilianos;
a longevidade dos gaviais atinge em média de 40  a 60 anos e a maturidade sexual pode variar entre os sexos, normalmente três anos para as fêmeas e dez anos para os machos; o gavial é tipicamente residente de profundidade, mas nos rios prefere áreas onde a corrente seja reduzida; bancos de areia nas proximidades das margens são usados para a nidificação;
as fêmeas podem não atingir a maturidade sexual até que tenham 3 m de comprimento; a nidação é feita durante a estação seca, em buracos escavados em bancos de areia; diferentemente da maioria dos crocodilianos, que carregam as crias na boca, o gavial parece não fazer isso por causa da morfologia incomum das suas mandíbulas; no entanto, o cuidado materno já foi observado; a fêmea normalmente põe 30 a 50 ovos que são os maiores dos crocodilos, com 160g de peso;
muitos dos músculos que não são usados na expiração, são usados na locomoção ágil debaixo da água, principalmente quando vão atacar alguma presa; antes de investir contra as presas o seu movimento é leve e em conjunto com o focinho muito estreito e longo, faz a adaptação para um movimento que passa por despercebido pelos outros animais, como os peixes;
em terra o gavial passa a maior parte do tempo imóvel porque está mal adaptado à locomoção terrestre quando adulto - a musculatura da perna não é adequada para levantar o corpo da terra, necessário para a movimentação - por ser capaz na maioria das vezes apenas de empurrar o corpo para a frente, arrastando-o pelo chão ("barriga-deslizante"), embora possa andar com maior velocidade quando necessário; é, no entanto, muito ágil na água - a cauda é bem desenvolvida e achatada lateralmente, e as patas traseiras são adaptadas para natação;
este crocodiliano parece ser essencialmente piscívoro, mas os indivíduos muito grandes podem comer outras presas; os gaviais jovens comem insectos, larvas e pequenas rãs; a morfologia do seu focinho é ideal para predar peixes; os gaviais muitas vezes usam o corpo para encurralar peixes contra as margens, onde podem ser mais ofacilmente capturados; por norma não ataca humanos; apesar de seu tamanho imenso, as mandíbulas finas e frágeis tornam-no fisicamente incapaz de consumir um animal de grande porte, especialmente um ser humano; os restos humanos encontrados no estômago de gaviais são explicados, provavelmente, pelo seu hábito de se alimentar de cadáveres; foi também sugerido que os gaviais podem, por vezes;
ingerir objectos duros com a função de gastrólitos;
as fêmeas adultas que atinjam a maturidade e se tornem sexualmente receptivas, são defendidas por indivíduo do sexo masculino; o ghara é utilizado em momentos de namoro entre gaviais, comumente são vistas bolhas a sair de dentro dele;
o período de acasalamento ocorre durante trêas meses, Novembro, Dezembro e Janeiro; a nidificação ocorre em Março, Abril e Maio (estação seca), quando as fêmeas se arrastam sobre a terra seca para escavar buracos nos quais poem cerca de 40 grandes ovos e os enterram; os ovos são incubados naturalmente no buraco do ninho, mas a fêmea permanece perto dele para protegê-lo de predadores, como porcos, chacais e lagartos; cerca de 70 dias depois da postura, quando os filhotes estão prontos para sair, eles chamam de dentro dos ovos, alertando a mãe para escavar e retirar os ovos para fora do ninho;
embora o gavial não tenha o hábito de transportar as crias nas mandíbulas, os jovens permanecem com a mãe durante várias semanas a vários meses; a protecção dos jovens ocorre junto da área de nidificação, durante algum tempo após a eclosão;
estes crocodilos não emitem sons estridentes, mas pequenos ruídos de baixa amplitude que ocorrem principalmente na hora do nascimento das crias e no período em que estão perto da mãe; essas vocalizações são emitidas para sinalizar à mãe que está no momento de escavar o buraco onde os ovos foram enterrados e que é necessário a mãe mostrar o caminho do rio para eles iniciarem a sua vida aquática.

histórico da população
os primeiros registos do gavial são essencialmente subjectivos e raramente quantitativos.; alguns estudos passados demonstraram certa abundância de gaviais no seu habitat; eram comuns no rio Indo, no Paquistão, nos anos de 1921; diversos autores mencionavam haver grandes grupos de gaviais juntos; em 1885 era comum as pessoas contarem 64 gaviais em duas horas, nas margens do Rio Jamuna; outros relatos confirmavam que eram encontrados em todos os grandes rios do norte da Índia;
centenas de gaviais foram observados no rio Narayani, no Nepal, antes da construção da barragem de Gandak; em 1964 e no começo de 1950 cerca de 235 gaviais foram contados ao longo do Rio Narayani; com uma estimativa de 11.000 km de rio, com um habitat numa área geográfica de mais de 20.000 km2, o gavial tinha uma população inferida de cinco a dez mil nessa época; em 1976 a população total estimada de gaviais selvagens no mundo tinha diminuído para cinco a dez mil animais; em 1984 houve a mais drástica queda da espécie: a população foi para apenas duzentos animais, uma queda de cerca de 96%; em 2006 a população em idade adulta na Índia era de um valor semelhante, menos de 200 e menos de 35 adultos para o Nepal; a espécie está praticamente extinta no Paquistão, Bangladesh e Butão; em Myanmar presume-se que esteja extinta desde 1940;
a diminuição drástica da população ao longo dos últimos sessenta anos pode ser atribuída a uma variedade de causas, incluindo a caça excessiva pelas peles e troféus, a recolha de ovos para consumo, a matança para a medicina indígena e a matança por pescadores; enquanto a caça já não é considerada uma ameaça significativa, a construção de represas, barragens, canais de irrigação, assoreamento, mudanças no curso do rio, aterros artificiais, areia, mineração, agricultura de várzea, animais domésticos e selvagens, combinaram-se para provocar uma extrema limitação ao intervalo da espécie devido a esta perda excessiva e irreversível de habitats ribeirinhos; por exemplo, em 2001 inauguraram-se 276 projectos de irrigação na bacia do rio Chambal; estas ameaças não cessaram, de facto aumentaram e continuam a comprometer a sobrevivência da espécie; o declínio de gaviais tem andado de mãos dadas com o declínio dos habitats ribeirinhos e de outros animais que compartilham os mesmos rios que eles, outra vez supostamente abundantes e agora ameaçados, incluindo o golfinho-do-ganges (Platanista gangetica) e o crocodilo-persa, bem como inúmeras aves aquáticas e espécies de peixes;
a população em idade adulta é outra preocupação; acredita-se que 14% de todos gaviais existentes hoje não estão na fase adulta, ou seja, não estão sexualmente maduros ainda, representando um provável prejuízo para a população; esses animais que não são considerados maduros, são principalmente machos, que necessitam de cinco anos a mais que as fêmeas para se tornarem reprodutores;
o rio Chambal detém, de longe, a maior subpopulação de gaviais, com 48% estimados da população total; o número total de ninhos encontrados no Santuário Chambal em 2006 foi de 68; outra grande população de gaviais está na Índia no Santuário de Vida Selvagem de Katerniaghat, onde vinte ninhos foram encontrados em 2006; a maior parte dos gaviais encontrados são fêmeas, mas nem todas estão na fase de procriação, mas mesmo assim existem mais fêmeas reprodutoras que outras jovens; supondo relatos, é possível inferir que haveria um total de treze gaviais adultos na Índia; considerando a escassez de machos maduros no Chambal, nas investigações de 2005 e 2006, é provável que existam poucos machos maduros nesse rio; juntamente com um total de vinte fêmeas, seis gaviais maduros do sexo masculino foram contados por observadores num local do rio Chambal em 2006; o número total estimado de gaviais maduros nas três subpopulações restantes da Índia, com base nos ninhos contados, aproxima-se de somente 107 indivíduos adultos;
relata-se que alguns gaviais fazem cada vez menos ninhos a cada ano; estimativas de frequência reprodutiva do sexo feminino retêm-se a uma média de 63%; apesar de os gaviais fazerem ninhos anualmente, algumas fêmeas podem ter migrado pelo rio abaixo, onde os machos são muito escassos; tendo todas essas médias, as análises da população, e a percentagem reprodutiva, estudos assinalaram que se todos os cruzamentos fossem feitos entre a espécie e eles obtivessem sucesso, a população alcançaria um número de apenas 220 indivíduos;
há outras duas pequenas populações não-reprodutoras de gaviais na Índia (rio Ken em Madhya Pradesh e rio Mahanadi em Orissa e três no Nepal (Rios Kosi, Karnali e Babai), que foram criadas pela reintrodução de gaviais criados em cativeiro;
no Nepal contaram-se seis ninhos em 2006 e o total de gaviais maduros em todas as subpopulações nesse país está estimado em 35 animais; com base nestas estimativas o número de gaviais selvagens, maduros, em todos territórios existentes da espécie (actualmente só na Índia e no Nepal) é de 182 em cerca de oito habitats fragmentados (mas novas pesquisas indicam que são 14% de gaviais maduros, diminuindo o número para 157 indivíduos totais); 1997 foi o ano de pico, com o maior número de gaviais maduros e ninhos registados nos últimos trinta anos, 226 animais adultos e 81 ninhos foram registados no rio Chambal; não há dados de nidificação no Nepal para este período, mas foram estimados 36 adultos presentes nesse ano; com base nos dados disponíveis, o número de gaviais maduros foi realmente surpreendente em 1997: 436 adultos; depois desse ano houve uma queda drástica, restando somente 188 em 2006, mais de 50% de declínio populacional;
Em resumo, as principais causas de tais quedas drásticas que ocorrem nesta população podem ser descritas como:
- alteração do habitat, que é o principal dilema; em todo território actual do gavial os rios foram represados, desviados para a irrigação e outros fins, levando à sua secagem; 
- a pesca está a aunebtar e a utilização de redes acaba com o principal alimento do gavial; este perigo é predominante em quase todo o habitat, mesmo em áreas protegidas;
- os povos ribeirinhos são alguns dos mais pobres da Índia e dependem quase exclusivamente dos recursos locais e da sua própria agricultura para sobreviver; durante os meses de seca, quando o rio está baixo, plantam abóboras e o pastoreio do gado nos bancos de areia e nas bordas do rio tornou-se predominante ao longo do rio Chambal em particular; estes são bancos de areia muito usados pelos gaviais para a reprodução;
- o tráfico também é outro problema; o ghara e a gordura dos gaviais são usados como medicamentos, principalmente no Nepal e, ocasionalmente, na Índia; os ovos são procurados por indígenas perto do rio Girwa para alimentação, e quase todos os ninhos foram invadidos por seres humanos durante as épocas de nidificação de 2001 a 2005.

tendência actual da população
decréscimo

sistema
terrestre, dulce aquícola

padrão de movimento
migratório

maiores ameaças
alteração do habitat: em todo o espaço actual , os rios foram represados, desviados para irrigação e outros fins, levando à seca sazonal, uma vez perenes (ao contrário de muitos outros crocodilianos, o gavial não pode andar por terra à procura de água nem se pode abrir um túnel para escapar à seca de verão; a areia minada, para construção em grande escala e ameaçando à frente, é um megaprojecto para interligar todos os rios principais da Índia, o que será uma catástrofe para toda a vida dos rios;
pesca: a intensidade da pesca está a aumentar e o uso de redes de emalhar está a matar rapidamente muitos dos adultos escassos, assim como muitos subadultos; este perigo é prevalente na maior parte do habitat actual, mesmo nas áreas protegidas;
agricultura e pastoreio: os povos ribeirinhos são alguns dos mais pobres da Índia e dependem quase inteiramente dos recursos locais e da sua própria agricultura para sobreviver; durante os meses secos, em que os rios estão abaixo, plantar colheitas de abóboras e pastorear gado, para beber e pastar nos bancos de areia e nas margens dos rios, tornou-se predominante  ao longo do rio Chambal, em particular; estes são os bancos de areia mais utilizados pelo gavial, para nidificação e para aquecer-se e estas actividades antropogénicas têm lugar na época de reprodução;
utilização: o uso do gavial (excrescência nasal em macho adulto), o pénis e a gordura para medicamentos, tem sido tradicional e ainda é relatado a partir do Nepal e ocasionalmente na Índia; considerando o facto de que pode haver menos de 20 machos adultos na natureza, o uso continuado é uma grande ameaça;
os ovos de gavial são procurados por povos indígenas para comer e no rio de Girwa (o santuário de Katerniaghat) foi relatado que quase todos os ninhos tinham sido invadidos por seres humanos, durante as estações de nidificação, de 2001 a 2005; as elevadas taxas relatadas dos recém-nascidos, em 2006, são atribuídas aos esforços de execução realizados nesse ano pela Guarda da Vida Selvagem e seu pessoal.

acções de conservação
os programas de conservação para o gavial foram realizados na Índia e no Nepal, com base no estabelecimento de áreas protegidas e repovoamento destes com animais nascidos em cativeiro;
de uma perspectiva poderia argumentar-se que mais de 5.000 gaviais juvenis foram libertados em habitats largamente inóspitos, em rios indianos e nepaleses e deixados à sua sorte; no Parque Nacional de Chitawan, no Nepal, onde foram libertados cerca de 300 gaviais, havia 16 ninhos em 1977 e 6 em 2006; assim sendo, a reintrodução não havia funcionado tão bem (embora se argumentasse que, pelo menos, a extinção total foi evitada), graças em grande parte a crescentes e incontroláveis pressões antropogénicas, incluindo o esgotamento dos recursos haliêuticos; os gaviais são geralmente criados por dois a três anos e medem em média cerca de um metro quando libertados; embora o programa exija o acompanhamento, não foi realizado de forma consistente e foram realizadas poucas investigações sobre adaptação, migração e outros aspectos fundamentais;
no rio Girwa (Santuário Katerniaghat), onde foram liberados 909 gaviais (incluindo 112 em 2006), houve quatro ninhos registados em 1977 e 20 em 2006, de modo que 16 fêmeas nidificantes (2% do total antes de 2006) resultaram de 30 anos de reintroduções; esta não é aparentemente uma grande conquista para o dinheiro e esforço gastos e, como vários pesquisadores conhecedores têm sugerido, talvez a capacidade de transporte tenha sido atingida;
no terceiro e mais importante habitat de reprodução, o rio Chambal (no Santuário Nacional de Chambal), onde 3.552 gaviais foram libertados (Whitaker e Andrews 2003) (mais 224 em 2006), houve 12 ninhos registados em 1978 e 68 em 2006; embora a nidificação tenha aumentado em mais de 500%, estas fêmeas adultas, maduras e recrutadas, são apenas cerca de 2% do número total libertado; como já foi apontado muitas vezes, o habitat linear e ribeirinho do Gharial é uma desvantagem extrema com as inundações anuais das monções, quando os jovens recém-nascidos são especialmente propensos a ser descarregados a jusante fora das áreas protegidas;
com o recrutamento ou a retenção de gaviais reintroduzidos (mais recrutamento natural) nos últimos 30 anos, sendo tão baixo quanto 0,02% (rio Mahanadi, Orissa) e uma média de 3% a 10% em outros lugares, toda a estratégia de reintrodução precisa de ser reavaliada; os escassos fundos de conservação e os recursos humanos precisam também de ser focados em outras acções rigorosas, como a avaliação do habitat, o aprimoramento das pescas e mitigação de conflitos, educando os habitantes do rio sobre os esforços de conservação, para melhorar as hipóteses de sobrevivência da espécie; deve anotar-se que os quatro lugares onde os gaviais ainda estão a produzir, todos tiveram populações residuais quando os programas de repovoamento começaram; em nenhum lugar o repovoamento restabeleceu uma população de gaviais viável.
                                                                                                                                                                       

fontes
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