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11.5.06

As Valas de Luanda





LUANDA, 2006

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No dia a seguir à enxurrada de 3 de Abril de 2006, como era feriado, saí e andei pelas valas e praias da Samba, Corimba e Mussulo.A situação é catastrófica. Estamos em presença de um Crime Ambiental de alto grau. Temos que divulgar e convencer a quem de direito para uma acção rápida e urgente.As valas estão a transportar o lixo de milhões de pessoas que vivem em bairros sem Saneamento Básico. Ou seja lixo sem qualquer tipo de tratamento.O lixo no mar e praias vai custar caro a toda a comunidade de Luanda pela perda do nosso potencial estético e turístico, qualidade da água do mar e das praias, custos envolvidos na limpeza pública e doenças associadas ao lixo. O lixo no mar estraga as embarcações (recreio e pesca), mata os peixes e dificulta a pesca. A ingestão de lixo por peixes provoca inanição, sufocação, infecções internas, morte.


O objectivo desta "reportagem" fotográfica é despertar mais uma vez a sociedade para os problemas que o lixo transportado pelas valas da Corimba estão a causar no ambiente marinho, no que diz respeito ao impacto ambiental e sócio-económico. As valas devem existir para a drenagem pluvial e não para o transporte de todo o lixo orgânico e inorgânico dos bairros da cidade de Luanda. Estas valas aumentaram e facilitaram o fluxo de lixo para a nossa costa litoral.


Toda a Baía do Mussulo, as praias de Benfica, Corimba, Samba, da contra costa do Mussulo, da Chicala e até da Ilha de Luanda estão a ser afectadas pela grande quantidade de lixo que está a ser descarregado no mar.





autor desconhecido

mensagem recebida por correio electrónico

1 comentário:

Nair disse...

Estas fotos das valas de Luanda são bem representativas dos trágicos contrastes com que qualquer um se depara ao visitar Luanda.

Enquanto os governantes angolanos se eternizam no poder explorando em seu proveito próprio as incomensuráveis riquezas com que a natureza abençoou Angola, o povo morre de fome e de doenças causadas pela miserável condição em que vivem.

Triste desígnio das nações naturalmente ricas: deixar quase todos morrer à fome para que a riqueza sirva apenas alguns!

Muitos gritam contra tantas injustiças no mundo! Quase todos se calam perante o que se passa em Angola.

Governantes (portugueses e outros), Organizações de defesa dos Direitos Humanos, Ecologistas, Associações Humanitárias, etc, com frequência fecham os olhos ao que se passa em Angola.

Com frequência parece querer confundir-se o Povo Angolano - que admiro e do qual me orgulho de também descender - com o Regime Autoritário disfarçado de República Democrática que vigora naquela admirável nação, fingindo recorrentemente estar em vias de realizar eleições democráticas. Se essas eleições se efectuassem de facto, decerto a Bandeira de Angola deixaria de se confundir com a bandeira do MPLA.

Eu não confundo. Separo as duas realidades.

O Povo que ansiou a Independência recebeu anexada à mesma terrível das dependências: a pobreza extrema numa terra que vê os seus bens naturais serem usurpados para o bem exclusivo de uns quantos senhores do poder.

Historicamente há-de julgar-se quem colaborou e/ou continua a colaborar na exploração do povo angolano. Há-de julgar-se quem são os responsáveis por este presente envenenado.

Só agora me apercebi de que já escrevi "mais que muito". Estava a precisar de desabafar sobre isto que me atormenta profundamente por cada notícia que leio ou oiço sobre a minha terra.